Random days in CDMX

Às vezes, não tem aquele pensamento do ‘hoje mereço’?

Normalmente, isso comigo costuma ser com comida. Ou então apanhar um Uber (em Lisboa, que aqui são 5x mais baratos :)).

Mas ontem foi com Salsa (além de um gelado, ups). Já tinha marcado com uma amiga, cheguei tarde, mas não falhei. Ontem sentia que merecia, por mais cansada que estivesse!

Há que aproveitar estas coisas aqui.

Tem sempre muita piada porque eu não danço nada, mas ninguém ali na classe de principiantes dança alguma coisa. Às vezes, não sei se estou a dançar Salsa ou a jogar basket. É giro, porque vai sempre trocando o par, e não precisamos de ficar mais de 2 min com o mesmo! Ufa, já nos safemos 🙂

Depois termina a classe e o bar normalmente já está cheio. E os homens convidam para dançar, só por dançar.

Fico sempre com aquela sensação que tenho que fazer isto mais vezes!

PS – Troquei de roomies e ontem conheci um deles. De toalha, a sair do banho. Acho que já quebrámos o gelo!! 😅

 

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Eles andam aí!

Depois de um dia tough, chego a casa e alguém arrumou e limpou o meu quarto! Que cheirinho bom!!

Falo com a Lupita, pensei que só viria no Domingo. Não foi a Lupita.

Não sei quem foi, mas estes miminhos enviados por algum anjo não acontecem num dia qualquer.

Hoje era mesmo dia de um miminho.

😁

Agora fica só a parte mais estranha de não saber o que se passou!!

Que haja mais momentos estranhos, desde que sejam assim!

PS – Tenho que planear ir a Portugal no WebSummit que assim dá para rever a malta (quase) toda num mesmo dia!

 

Damn camouflaged morales, but this got out alone because. good feelings.

Perhaps, it is the process of growing up that makes us happy. Probably, it is not ideal. Eventually, along time we need less and less this thing of feeling bad and doing wrong to value feeling great and doing good.
I am a privileged for my first world problems, I know.
But today, I am grateful and I can even see the beauty on most difficulties of my past – most, not all yet, for sure. I am now alive and happy for so many changes, fixed parts, improvements and new perspectives.

 

Always knowing that tomorrow I will notice my ignorance of today. Also, reminding: when we are out of the cave, we can never go back  (it was not on purpose for you to relate this with the other famous saying).

 

This – the feeling of gratefulness that grows with scarcity – can relate with so many things, even the smallest. For instance, not having water in Mexico City for some days.

Another example, the fact that I cannot format well this text on WordPress makes me feel grateful for Word even when everybody complains about it (and still does not admit that Excel is one of the best inventions ever!).

GRATEFULNESS IS ONE OF THE BEST FEELINGS IN THE WORLDDDDDDDDDDDD!!!!

PS – Sometimes it is not me writing it down.  Have you heard about the Jim Carrey “thing”, you skeptic?   😀 😀 😀 😉

PS 2 – I am happy (and a bit nervous) I allow me to be ‘stupid’. Cause maybe half of you will judge me as so. And that is very beautiful, can you see – the other half? 🙂 This is the text I am most proud of from the blog, actually. Because I know that this other half will read the things that are not written.

‘se é tudo por um triz, você prefere ter razão ou ser feliz?’ 🎶

 

México, Novembro de 2018

Cada ano, esperamos por vocês

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A morte no México.

A mudar todos os dias a forma como vejo o mundo, mas hoje é um dia especial.

A senhora desta casa convidou-nos a entrar. É o altar dos seus mortos, feito com um carinho que emociona. Com a comida que os seus mortos gostavam, com as suas bebidas favoritas. Estiveram a fazer pão durante um dia.

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Esta foi a segunda casa que visitámos.

Invariavelmente, a generosidade de partilharem connosco o seu altar e as suas histórias. Tal como no primeiro, puseram comida a mais para que além dos seus familiares, as ‘almas olvidadas’ pudessem encontrar conforto.

Invariavelmente também, disseram-nos que a comida – que se distribui depois pelos membros próximos da família – perde o sabor pois as almas consomem o seu elixir. E que a bebida mirra. Que com o que vêem passar é difícil não acreditar e manter a tradição ano após ano.

Esta é uma festa alegre, não é todos os dias que estão com quem amam e já partiram! O momento triste é apenas quando se têm que despedir novamente das almas. E esperar pelo próximo ano.

Haverá maior generosidade do que cuidar dos que não nos podem dar nada em troca?

… Há ir e voltar…

‘enjoythepain’. Esta é a password do café onde estou sentada. Fez-me rir e pensar no quão embaraçoso deve ser  dizê-lo a cada cliente que pede Wi-Fi. Gosto do conceito.

Cheguei ao México há menos de uma semana atrás. Obrigada a todos com quem estive em Portugal!! Adorei estar com vocês e é sempre curto.

Normalmente o momento do avião e os primeiros dias são um momento que me custa bastante. Da primeira vez, depois dos tempos ‘mágicos’ que o Natal em família oferece, pensei que não ia ficar. Mas o México tem uma forma especial de te receber, tem uma vibração única.

Dessa vez, foi o motorista de Uber o primeiro a ouvir-me falar das saudades e a dizer-me ‘bem-vinda ao México, estou aqui a dar-te as boas-vindas e só pode ser um bom presságio para os tempos que aí vêm. Vão ser tempos espetaculares.’ Não me lembro bem das palavras, mas esta era a ideia. Como a Maya Angelou dizia, podes esquecer tudo mas não a forma como te fazem sentir. Os mexicanos são bons com a forma como te fazem sentir. Quando estamos ‘sozinhos’ (não estou realmente sozinha! ), do outro lado do oceano, as palavras dos desconhecidos têm uma força grande.

Desta vez foi diferente. Não tive ‘ressaca’, apenas a felicidade de ter estado com quem estive e de me sentir bem onde estou agora. No trabalho, tive uma motivação extra com a que não contava. E hoje, o primeiro sábado que passo cá foi entre o desfile de Alebrijes e o planeamento para Cancún… e também para a falta de água.

Os Alebrijes são esculturas coloridas de papel, arte popular mexicana, de criaturas fantásticas. O Passeo de La Reforma – a rua principal desta zona da Cidade – estava cheio, e já com as calaveras do Dia dos Mortos também. Muita alegria e beleza.

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Os restaurantes e cafés estão também já enfeitados para o Dia dos Mortos e este ano quero que seja especial e já reservei o dia em Mixquic. Faltam 2 semanas!!

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Fui comprar peças de bikini com uma amiga – para Cancún – e os primeiros 20L de água para os dias que aí vêm. É impressionante mas é verdade, a Cidade vai ficar sem água – ou com serviços mínimos – mais de uma semana!!! Vou recordar concerteza os tempos quando estava na tribo! Mas desta vez, tenho de estar apresentável!

Quando carregava os garrafões de 10L em cada mão, um mexicano ofereceu-me ajuda e levou um dos garrafões até à minha porta. Os mexicanos têm esta coisa bonita de ver e ajudar quem está à sua volta. O que acho que contrasta um pouco com a maioria das culturas individualistas de hoje em dia. E é algo realmente intrínseco, que se vê quando nos desejam ‘buen provecho’ da outra mesa, por exemplo, ou quando não deixam um espirro nosso ficar sem um ‘salud’.

Nesta primeira semana, um amigo disse-me: ‘O México é um Hospital’. Referia-se ao lado espiritual. (Tenho algumas histórias para contar sobre este lado espiritual do México 🙂 ) ‘Quem está preparado para curar-se…’. Ele é português e comentámos que apesar de Portugal ser um país tão incrível, com pessoas tão incríveis – e é o nosso país, são as nossas pessoas! – existe um ambiente pesado. Tenho refletido bastante no que faz o povo mexicano ser tão cheio de vida e as razões não me cabem nos dedos de uma só mão…

Mas, apesar de estar no país das luas-de-mel e de haver esta vibração e vontade de viver, vivo o que de melhor e de pior pode ter uma vida … absolutamente normal! Amores, desamores, frustrações e motivações. Corrida, cinema. Pipocas de caramelo. Mas sobretudo gratidão por todas as fases – talvez aqui algo da ‘cura’ . ‘enjoythepain’. Apenas o digo porque muito me custa esta era de instagramização, onde competimos por mostrar a vida perfeita.

Fui agora interrompida pelo rapaz do café onde estou, que me viu a escrever e notou o meu sotaque. É ciclista e montou este espaço ‘bike friendly’ com outros sócios ciclistas. Terminou com ‘Magdalena, esta es tu casa’. México!! Obrigada por seres assim. Acabei por lhe mostrar o meu Blog.

Percebi agora a password.

Beijos!!

‘¡Y… Nada!’ Como dizem os meus queridos por cá.

Até já e obrigada!

Assim como há um começo, também há um fim. A vida é cheia de começos e de fins e é bom quando podemos aceitá-los com naturalidade. Nada melhor do que fazê-lo no dia de todos os santos, na altura em que os Mexicanos celebram os mortos, porque acima de tudo celebram a vida (sabiam que há mariachis nos velórios?).

Despeço-me do blog porque tal como escrevi no post anterior, creio que o ciclo da viagem terminou.

Disseram-me no outro dia que o México chama as pessoas na altura certa. Talvez, talvez tenha vindo aprender uma grande lição aqui, que só estivesse preparada para senti-la depois da viagem.

Continuo com saudades e sinto que tenho uma maratona de desafios pela frente. Muito mais do que senti em toda a viagem. Porque agora tenho que aplicar o que aprendi com calma na azáfama da vida que já me agarrou pela manga de novo e está a alta velocidade.

Continuo aqui. Talvez mais que nunca. Quero estar presente mesmo não estando.

Apesar deste fim de ciclo, muitas coisas vão continuar e gostava muito que a escrita e a ajuda a pessoas com incapacidades fossem duas delas.

Um muito obrigada do fundo do coração por me terem acompanhado nesta viagem, pelas palavras de força, pelas palavras de amor. Foi uma bonita viagem. Muitos de vocês sei que a sentiram comigo e não há palavras para descrever o que sinto ao sabê-lo e ao ouvi-lo.

Nunca percepcionei muito a coragem que todos mencionavam ter para fazer esta viagem. Mas coragem é uma palavra que tem origem francesa, vem de“coeur” e significa fazer o que vem do coração. Por essa razão, apenas, abraço a palavra coragem nesta jornada.

Foi um período que me remexeu um pouco as entranhas mas continuo a mesma alma frágil e com tanta, tanta, tanta coisa para aprender. Como o México me está a demonstrar, uma vez mais. Mas afinal, como diz a que para mim, foi a canção da viagem:

“Não é sobre chegar no topo do mundo e saber que venceu.

É sobre escalar e sentir que o caminho te fortaleceu”

Finalmente, gostava de dizer que as vezes que ouvi mensagens inspiradoras nesta viagem, diferentes e repetidas, não tem conta. Les Brown é dos meus speakers favoritos e ele diz que, mesmo que toda a gente saiba o que é o McDonalds, o McDonalds nao pára de fazer publicidade. É muito importante repetirmos as mensagens que queremos ter na nossa vida para que, sem querer, não lhes deixemos de prestar atenção.

Acabo o blog precisamente com uma dessas mensagens que ouvi repetidamente, antes e durante a viagem e que vou certamente continuar a ouvir: “Most people fail in life not because they aim too high and miss, but because they aim too low and hit.”

Com uma enorme gratidão pelas aprendizagens do passado, que ganhei de vocês todos que me lêem e ainda antes de começar a viagem, despeço-me com um até já, até sempre e obrigada! Continuo por aqui.

Madalena

Hora da saudade

Este texto vai ser um pouco mais pessoal, o que me cria sempre algumas questões. Mas isto também é o que é partilhar. E se ainda vens a este cantinho, depois de milhares de letras, é contigo que quero fazê-lo.

Não cheguei a dizer aqui o motivo que me trouxe ao México, embora nesta altura todos saibam: foi um trabalho. Nao foi o México, nao foi o trabalhar no estrangeiro, não foi o ganhar mais, foi este trabalho específico que me encontrou na altura que considerei ideal, por vários motivos. O facto é que o meu plano de 4 meses e meio de viagem terminou exatamente na altura de poder começar a trabalhar e que os meus desejos inconscientes se realizaram. Confesso que não pensei em trabalho por muito tempo, enquanto viajava. Cheguei mesmo a evitar o tópico ou, quando o tópico era lançado, não dizia para qual marca trabalhei. É sempre uma marca que desperta demasiada curiosidade – o que prolonga o tempo de conversa no tema – e que sinto que muda um pouco a percepção que as pessoas têm sobre mim. Queria que me conhecessem a mim, apenas a mim, e dar azo à partilha de coisas diferentes (com o tempo mudei o meu comportamento, porque senti que só me poderiam conhecer completamente se pudesse falar de tudo).  Mas isto para dizer que,  antes de pensar no que realmente queria, creio que a vida pensou por mim. Que novamente o caminho me levou. Foi como um presente surpresa embrulhado que não estava ainda na lista – porque basicamente nem sequer havia lista – e que acertou em cheio. E estou mesmo muito contente e grata por isso! Calma, não vou ser astronauta.

Não teria conseguido sozinha. Houve um dia em que quase me isolei completamente e me dediquei a sentir a força para tomar a decisão. Falei com duas pessoas com mais experiência que eu, mulheres, da minha área profissional e que admiro (Vanda e Ana Rita), que me aconselharam a ir ver como era, que me recordaram que a experiência é o nosso melhor conselheiro, que sobretudo me levaram a sentir o que eu queria, a ser eu própria a aconselhar-me. Fui correr também. Sentia-me invencível e tinha a minha decisão: ir ver como era. Mas nesse dia, por outro motivo, aquele ânimo foi interceptado. Nao cheguei a comprar o voo porque precisava de sentir as vibrações certas – por mais estranho que esta frase possa soar, para mim só funciona assim. Depois de um dia inteiro dedicado a sentir-me no momento ideal, aquele não era o momento ideal. Esperei pelo dia seguinte – a importância de uma boa noite de sono..! – concentrei-me novamente e sentindo-me renovada, comprei o voo.

Foi fundamental sentir o apoio do meu pai para me sentir bem. E não só, tive muito apoio dos meus familiares. Mas confesso que foi difícil dizer a toda a família. Principalmente porque a hora de voltar se transformou na hora de ficar. Pelas saudades. E também porque senti que a hora de partilhar e devolver o que vivi foi adiada.

A verdade é que no meio do entusiasmo do momento do sim, me deu um aperto ao saber que não podia de imediato ver a minha família e os meus amigos em Portugal. E que não poderei fazê-lo quando quero, mas quando os dias de férias (e trabalho remoto) me permitirem.

Há uns tempos que as saudades começavam a bater mais e, agora, mais ainda (tentei explicar a palavra saudade aqui). Isso não significa que não queira ficar, quero muito ficar, estou muito entusiasmada com o que estou a viver aqui e com as perspectivas dos próximos tempos.

Acho que encerrei um ciclo e estou a começar outro, embora longe e talvez para quem me lê distante pareça pertencer ao mesmo, muita coisa mudou, muita coisa se iniciou. Na verdade, tudo. Vim sem conhecer uma só pessoa.

Tenho a minha mãe muito presente nesta viagem. Há uma certa rebeldia discreta que nos une. Rebeldia não no sentido de fazer coisas loucas, mas sim no sentido de precisarmos muito de fazer as nossas coisas, mesmo se fugirem à norma. Creio que a minha mãe o demonstrava nas pequenas coisas – como comprar uma bola de plástico com um brinde naquelas máquinas de inserir uma moeda, só porque lhe apetece – e eu faço naquelas maiores, como esta viagem. Muitas vezes pensei que, se a minha mãe tivesse feito uma viagem destas, a sua vida teria mudado. Penso isto também para os meus familiares próximos.  Penso isto, no fundo, para todos. Mas para a minha mãe, em particular.

Agora é hora de construir. Arranjar uma casa – depois de passar por vários airbnbs, onde estou agora – fazer amigos, ganhar estaleca no trabalho, inscrever-me nalgum hobby..!! Mas não é sempre hora de construir?

(perdoem-me os erros, teclado estrangeiro… )